Arquivos de categoria: Um livro, uma companhia

UM CONTO DE NATAL

Adolfo Rocha

Garrinchas um velho pedinte

Foi escolhido para leitura, nesta tarde, o conto “Natal” do livro Contos da Montanha, de Miguel Torga.

O conto referia-se a um velho pedinte – Garrinchas - que queria passar o Natal na sua terra, mas… Continuou-se a... LER MAIS  

Após a leitura, a  assistência referiu o que assimilou, percebeu ou idealizou sobre este conto. De seguida houve quem começasse por questionar o sinónimo de uma das palavras e, logo outra e mais outra dúvida surgiu. Foi um momento de partilha de saberes. Esclarecidas as dúvidas analisou-se o conto  e visualizaram-se imagens tendo-se concluído que no conto se encontrava representado:

O AMOR retratado no final do conto pela imagem da Senhora, do Menino e pelo Garrincha.

A SOLIDARIEDADE representa pela luz da fogueira.

A PAZ refletida na brancura da neve.

Toda a assistência participou ativamente e mostrou-se sensibilizada pelo conteúdo do conto até porque, de alguma forma, existe todos os dias uma vida real que aqui se enquadrará nas vivências do próximo Natal.

Rosa Duarte

Momentos Natalícios

Reportagem fotográfica de João Correia

Plantas referidas no conto de Natal


Um livro, uma companhia

O OUTONO E A POESIA

Nesta tarde do dia 09 de novembro, nas intituladas “Tardes de Terça-Feira” procedeu-se à leitura de poesia sobre outono – tempo e vida, no âmbito do projeto “Um Livro, Uma Companhia” , mas para além disso foi incluído: a Lenda de São Martinho e o magusto.

Antes da leitura de poesia para dar a saber de que escritora se iria falar, recordou-se o nome de ruas bem perto da CES. Deu-se a saber:

Irene do Céu Vieira Lisboa nasceu no Casal da Murzinheira, na freguesia de Arranhó, no concelho de Arruda dos Vinhos, no dia 25 de Dezembro de 1892.

Faleceu em Lisboa a 25 de Novembro de 1958, a um mês de cumprir 66 anos de idade.

Formou-se na Escola Normal Primária de Lisboa. Continuou os estudos na Suíça, França , Bélgica onde se especializou em Ciências de Educação.

Foi escritora, professora e pedagoga portuguesa.

Começou a vida profissional como professora  da  educação infantil, mais tarde foi inspetora orientadora de ensino e passou a funcionária administrativa do Instituto para a Alta Cultura. Reformou-se aos 48 anos.

A produção literária de Irene Lisboa divide-se pela ficção intimista e autobiográfica, crónica, conto (para crianças e adultos) e poesia. É autora de uma vasta obra, mas muito pouco conhecida.

Não foi livre na expressão dos seus pensamentos, cito: «Restavam-lhe a imprensa, o livro, a conferência. Grande parte das suas intervenções tem, precisamente, esses suportes, mas convém não esquecer que o controlo censório exercido pela ditadura salazarista sobre a expressão pública do pensamento não lhe permitiu certamente a transmissão das suas opiniões com toda a claridade.»

Isto levou-a a adotar pseudónimos para escrever as suas opiniões, nomeadamente João Falco, Manuel Soares e Maria Moira.

Em homenagem a Irene Lisboa encontramos o seu nome atribuído a escolas, ruas, pavilhão desportivo e cultural, Museu em Arruda, Biblioteca, estátuas.

Em sua homenagem a Federação Nacional dos Professores fundou, em 12 de Janeiro de 1988, o Instituto Irene Lisboa.

A 19 de Maio de 1989, foi agraciada, a título póstumo, com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade .

O Município de Arruda dos Vinhos criou o Prémio Literário Irene Lisboa com o objetivo de:  divulgar o nome, a vida e promover o estudo da obra de Irene Lisboa; dar valor à língua portuguesa; valorizar a Cultura e a Identidade de Arruda dos Vinhos; criar e/ou consolidar hábitos de leitura e de escrita; promover a escrita criativa, valorizando a expressão literária. Este ano realizou-se o 11º concurso, dentro deste contexto.

E para que se cumpra o fim a que se destina o projeto “Um Livro, Uma Companhia “ foi feita a leitura de poesias do livro “Obras de Irene Lisboa – um dia e outro dia… outono havias de vir”, começando-se pela seguinte frase da escritora “Ao que vos parece verso chamai verso e ao resto chamai  prosa”. E, porque estamos na estação outonal, continuou-se com a leitura de poemas, de outros autores, relacionados com esta época do ano.

Para terminar a tarde felicitou-se aniversariante presente e cantou-se a canção de Parabéns. De seguida viu-se um vídeo sobre o dia de São Martinho  que, apesar de ser para crianças, deixou todos os presentes agradados.

Fez-se referência ao magusto, que se festeja brevemente, usando quadras e adivinhas sobre este.

 Rosa Maria Duarte

Poesia sobre Outono

O Outono na Vida e no Tempo


CESVIVER recorda Júlio Dinis

Realizou-se a primeira sessão deste ano letivo, no âmbito do tema “UM LIVRO, UMA COMPANHIA”, no dia 12 de outubro 2021.

A tarde desta terça-feira começou com a audição de fados na voz de Amália Rodrigues, fadista que celebraria 100 anos.

Ainda se visionou temas  musicais e cenários relacionados com o romance “As Pupilas do Senhor Reitor” para que, as participantes presentes, se situassem naquela época.

Celebrou-se este ano os 150 anos da morte do escritor Júlio Dinis, ocorrida a 12 de setembro de 1871. O escritor foi homenageado na Feira do Livro do Porto 2021 como “O autor portuense que tão bem retratou as vivências da segunda metade do século XIX em Portugal, e particularmente no Porto”, sua terra natal.

Para além desta, outras formas de homenagear o escritor se encontram no nosso país tais como: monumentos, estátuas, estabelecimentos de ensino e também nome de ruas.

Nesta sessão na CESVIVER, fez-se referência à vida e obra de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, médico, escritor e professor que no período mais brilhante da sua carreira literária usou o pseudónimo de Júlio Dinis. Para além deste também usou Diana de Aveleda, foi com este pseudónimo que assinou as suas primeiras obras, pequenas crónicas no Diário do Porto, pequenas narrativas ingénuas como «Os Novelos da Tia Filomena» e o «Espólio do Senhor Cipriano», publicados em 1862 e 1863, respetivamente e ao nível das publicações periódicas, também se encontram colaborações suas nas revistas Semana de Lisboa (1893-1895) e Serões (1901-1911).

Dedicou-se à escrita com 17 anos com a comédia “Bolo Quente” e em 1857 escreve o seu primeiro poema “Sonho ou Realidade?”. Escreveu tendo em conta os princípios e valores do mundo pelo prisma da fraternidade, do otimismo, dos sentimentos sadios do amor e da esperança.

Foi considerado o escritor da 3ª geração do romantismo e o prenunciador do realismo em Portugal; criador do “Romance Campesino” onde as suas personagens eram pessoas com quem contactou ou viveu na vida real; autor bastante versátil destacando-se da sua obra poesias, peças de teatro e, sobretudo, romances; conhecido como o mais «suave e terno romancista português, cronista de afectos puros, paixões simples, prosa limpa».

Foi feita alusão ao nome  e apresentação de diferentes obras deste autor.

 

Procedeu-se à leitura de poemas do autor: A Esmola do Pobre, Morena, És Bela e  Visão (pode ler-se na galeria).

Terminou-se a sessão visionando parte do filme português “As Pupilas do Senhor Reitor” Cinema Português.

Houve interesse e participação das aderentes, ora por não terem conhecimento, ora por completarem aos que já tinham.

Rosa Duarte

Júlio Dinis e a sua obra

Morena-Poema musicado em 2000


O Dia da Criança

Sendo hoje 01 de junho de 2021 e comemorando-se o Dia da Criança, foi com este assunto que se iniciou a sessão das denominadas “Tardes de Terça-feira”. Apresentação, em PowerPoint, de artigos de forma a recordar: quando, porquê e para quê a necessidade deste dia. As aderentes fizeram a leitura de frases e poemas alusivos a esta data.

Iniciou-se o tema escolhido no âmbito do projeto Um Livro, Uma Companhia que recaia no escritor Miguel Torga

Foi pedida a participação das presentes para se pronunciarem sobre o autor. A senhora D. Rosa Maria Martins, já com a bonita idade de 84 anos, prontamente nos transmitiu tudo o que sabia. Ao terminar foi aplaudida por todas. Ainda houve outras aderentes que participaram intervindo ou mostrando um livro antigo de Miguel Torga.

Continuou-se com breve alusão à biografia e bibliografia do autor, a fim de completar o que faltava dizer.; Leitura e interpretação de poemas sobre a Criança.

Terminou-se a tarde com esta frase:

R.M.D.

Miguel Torga e a Poesia

Poemas para o Dia da Criança


Dia Mundial da Língua Portuguesa-2ª Sessão

No dia 11 de maio realizou-se a 2ª sessão (conclusão) no âmbito deste tema.

Recordou-se a sessão anterior e, de seguida, foi feita referência  a algumas das comemorações realizadas pelos diferentes países de língua portuguesa, quer tenham sido  transmitidas pela televisão quer  através de outro  meio de comunicação, tais como: Seminário do Dia Mundial da Língua Portuguesa em Guimarães, com a colaboração da Câmara Municipal local e da Universidade do Minho;  Concurso “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa” promovido pela Porto Editora, o Camões, I.P e o Plano Nacional de Leitura, que anunciaram os vencedores da primeira edição;  “Todas as Palavras que hão de vir” programa da Imprensa Nacional e o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.; bem como outras atividades.

Dando continuidade, apresentei uma breve síntese da biografia e bibliografia do escritor angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, cujo pseudónimo é Pepetela, que recebera o Prémio literário DST Angola/Camões 2020, no dia 05 de maio 2021, pela sua mais recente obra “Sua Excelência, de Corpo Presente”, no âmbito da sessão solene que assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Fez-se a leitura da sinopse desta obra.

De seguida também foi lido o poema, da sua autoria, intitulado O Planalto e a Estepe.

A assistência procedeu à leitura de mais alguns poemas, de escritores que fazem parte da CPLP, após terem observado as bonitas imagens ilustrativas, de pintores portugueses, trabalho realizado pela nossa amiga profª Mª de Lourdes Mano. Uma das senhoras durante a leitura emocionou-se, porque reviveu momentos muito difíceis, em jovem, durante a guerra e sempre o que desejou foi a Paz.

Poderá ler ou reler os poemas nas imagens.

Rosa Maria Duarte

Apresentação e conclusão do tema

Poemas para ler e reler


Dia Mundial a Língua Portuguesa-1ª sessão

Dia Mundial da Língua Portuguesa

Reabertura das Atividades do projeto CESVIVER

Dia 04 de maio o grupo restrito de aderentes deste projeto da CES voltou à “Casa”, após o confinamento, para reprincipiar as atividades do ano letivo 2020-2021.

No horário da manhã, o professor António Santos orientou a aula de Chi Terapia a duas alunas/aderentes.

 O Dia Mundial da Língua Portuguesa foi o tema apresentado pela profª. Rosa Maria Duarte, repartido por duas sessões, com a projeção de trabalho da Profª. Maria de Lourdes Mano, a quem agradeço.

Para situar os participantes no tema foi referida a vasta utilização da língua portuguesa, em quase todo o mundo.

Recordou-se o que é a CPLP, a sua criação e objetivos.

Passou-se à atualidade referindo a oficialização pela UNESCO, em 2020, do dia 05 de maio como Dia Mundial Da Língua Portuguesa e do que propôs que fosse realizado.

Foram mencionados os nomes dos membros plenos e efetivos da CPLP bem como de alguns dos observadores associados.

Para se homenagear os escritores, as aderentes leram quatro poemas (que se pode ler na galeria) e desfrutaram das imagens ilustrativas de artistas portugueses.

              Rosa Maria Duarte

Reportagem fotográfica de João Correia

Tributo aos autores da CPLP

Celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa


João Luís Barreto Guimarães

Poeta premiado

Quantos de nós já leu, um poema que seja, deste poeta português galardoado recentemente nos Estados Unidos da América, precisamente no dia 8  Fevereiro 2021, com o prémio «Willow Run Poetry Book Award 2020»?

Este prestigiado prémio foi atribuído ao livro de poemas «Mediterrâneo», do poeta João Luís Barreto Guimarães, editado em Portugal em 2016 e já traduzido e publicado em vários países da Europa.

Teria sido fácil a atribuição deste conceituado galardão ao livro de poemas de João Luís Barreto Guimarães?

Eu diria que não foi nada fácil já que, a este prémio foram admitidos cerca de duas centenas de manuscritos de poetas americanos e não-americanos mas cujos livros foram traduzidos para Língua Inglesa.

Assim,  numa primeira etapa foram seleccionados 52 semifinalistas.  Seguiram-se depois, apenas 10 finalistas representantes dos EUA, Canadá, Reino Unido, África do Sul, Suíça, Japão, Índia, China e o nosso poeta.

João L. B. Guimarães é o primeiro português e o terceiro poeta distinguido por este notável prémio americano.

Além do valor monetário, o livro de poemas «Mediterrâneo» será publicado em todos os países anglo-saxónicos.

De que nos “fala” esta obra poética?  «Não é uma colecção de poemas que foram aparecendo, mas um conjunto que forma um todo, que surge para responder a alguma urgência, alguma pergunta, um mistério. É um livro que fala dos territórios divididos da Europa, belos, aterradores, portadores de civilização, sempre em disputa, sempre à procura de si mesmos.»

Cito o poeta:

«Em minha casa havia pouca poesia. A minha mãe era professora de Físico-químicas e tinha os livros do António Gedeão, que era o Rómulo de Carvalho. Então, as primeiras poesias com as quais tive contacto foram os versos do António Gedeão, que a minha mãe dizia frequentemente pela casa. Mas, verdadeiramente, o primeiro momento em que me lembro de ficar sobressaltado com a poesia e deslumbrado - a perguntar: "O que é isto, de onde é que isto está a aparecer?!" - foi nas aulas de Português do 9.º ou do 10.º ano, quando começo a estudar a obra do Cesário Verde e do Fernando Pessoa. E começo eu próprio a fazer as minhas tentativas: românticas, sofridas.»

De Dezembro 2013 a Novembro 2014 escreveu em prosa, uma crónica semanal para o Jornal de Notícias.

João Luís Barreto Guimarães está representado em Antologias e Revistas Literárias de Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Reino Unido, Alemanha, Áustria, Itália, Hungria, Bulgária, Roménia, Eslovénia, Croácia, Montenegro, Macedónia, México, Uruguai, República Dominicana, Estados Unidos e Brasil.

Em 1992 recebeu o Prémio «Criatividade Nações Unidas».

Foi distinguido com o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa e duas vezes finalista do Premio Internazionale Camaiori.

Em Abril 2019, o livro «Nómada» arrecadou o prémio de «Melhor Livro de Poesia do Ano» da Editora Bertrand.

João Luís Barreto Guimarães nasceu no Porto a 3 Junho 1967.

Além de poeta e tradutor é médico.

Muito fica por referir sobre João Luís Barreto Guimarães e a sua obra poética que, na minha perspectiva, seria muito enriquecedor conhecermos mais profundamente.

Obras poéticas publicadas até ao momento:

  • Há Violinos na Tribo (1989)
  • Rua Trinta e Um de Fevereiro (1991)
  • Este Lado para Cima (1994)
  • Lugares Comuns (2000)
  • Rés-do-Chão (2003)
  • Luz Última (2006)
  • A Parte pelo Todo (2009)
  • Mediterrâneo (2016)
  • Nómada (2018)
  • O Tempo Avança por Sílabas (2019)
  • Movimento (2020)

Finalizo estas breves notas sobre o nosso poeta que hoje vos recomendo vivamente, recordando as sábias palavras do grande poeta da Catalunha, Joan Margarit, considerado o poeta «devoto da emoção» e Prémio Cervantes 2019, - o prémio mais relevante da Literatura Espanhola – falecido agora, no passado dia 16 Fevereiro:

«Escrever um poema é mais difícil que morrer; nem todos podem escrever um poema, morrer está ao alcance de todos.»

M.ª Lourdes Mano Reis

Obra literária de João Guimarães

Poeta, tradutor e médico

Apontar para a imagem para ler com tempo


Recordar José Saramago

Um outro olhar sobre o livro: “Memorial do Convento”

Realizou-se a última sessão programada para o ano letivo 2019/2020, pois como é de vosso conhecimento o fecho das atividades obrigou-nos a parar com toda a programação, mas foi vontade nossa cumpri-la a devido tempo.

Esteve connosco, como convidada, a professora Maria de Lourdes Mano que iniciou a sessão dando a saber uma notícia do dia: O Ministério da Cultura vai atribuir a Medalha de Mérito Cultural a Maria Teresa Horta pela sua carreira enquanto escritora e jornalista. Devido ao estado de pandemia o prémio só será entregue em 2021. Esta escritora, neste projeto, foi alvo de breve estudo nos dias 13 e 15 de outubro 2020.

Deu continuidade à sessão, pegando no tema do dia. Passo a transcrever o documento da professora Maria de Lourdes Mano onde nos relata como decorreu a sessão:

«UM LIVRO, UMA COMPANHIA»

RECORDAR JOSÉ SARAMAGO

(«Uma década de saudade, mas não de ausência» sublinha a Fundação José Saramago)

Nestes dez anos da sua ausência física entre nós, a Fundação JOSÉ SARAMAGO continua a trabalhar de acordo com o Projeto que foi estabelecido pelo escritor para a criação da Fundação:

  - «Sermos facilitadores da difusão cultural, insistir na Declaração dos Direitos Humanos e dos Deveres Humanos e cuidar do legado humanista que nos foi entregue».

De igual modo, ao recordarmos esta efeméride e José Saramago, com o objetivo de prepararmos a Visita de Estudo da CESVIVER à Real Basílica do Palácio Nacional de Mafra e ao Jardim do Cerco, a Profª. Lourdes Mano dinamizou a sessão desta tarde abordando em traços gerais o livro «Memorial do Convento».

Como sabemos, o romance é longo e rico em personagens e factos históricos que têm o condão de nos fascinar, da primeira à última página, tal como José Saramago é exímio a fazer.

“Viajámos” pela História de Portugal, num período aproximado de 30 anos, na época da Inquisição, também conhecida como «Tribunal do Santo Ofício».

O romance articula factos verídicos da História, no século XVIII, durante o reinado de D. João V, nomeadamente os Autos-de-Fé da Inquisição, a Procissão de Penitentes, o casamento dos Infantes, com factos ficcionados, como, por exemplo, os milhares de trabalhadores na construção do Convento, sempre esquecidos noutros romances mas, aqui, José Saramago valoriza-os e eleva-os à categoria de um “herói coletivo”.

José Saramago também não esqueceu a vertente do “fantástico” como, a construção da Passarola, sonho do padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, ajudado por Blimunda e Baltasar, personagens estas ficcionais do romance.

 Todas as personagens deste romance encantam-nos pela coragem e bravura, mas principalmente pelo que são de humanas, inquietas e capazes de «ir ao encontro do seu verdadeiro destino».

Assim, o escritor apresenta-nos o Manuel Milho como um exímio contador de histórias, ele que era um mero trabalhador na construção do Convento de Mafra e muito amigo de Baltasar «Sete-Sóis». À volta de uma fogueira, antes de dormir, sentavam-se os amigos - o povo anónimo que construiu o Convento - para ouvir as histórias contadas por Manuel Milho, deixando o melhor sempre para o dia seguinte, acirrando a curiosidade e o entusiasmo dos ouvintes.

 Após a projeção de muitas imagens sobre esta obra literária e respectivos comentários, procedeu-se à leitura de pequenos extratos do romance, até para nos introduzir na projeção de outras imagens, agora sobre a magnitude deste monumento, onde a Basílica e o Jardim do Cerco foram o nosso foco para a Visita de Estudo.

A sessão foi concluída e, como é hábito, ainda houve oportunidade para as habituais e tão desejadas conversas prazerosas, seguindo-se as despedidas afetuosas.

MLMR

Nota: Por motivos relacionados com o momento crítico que vivemos atualmente, a Visita de Estudo à Basílica e Jardim do Cerco, projetada para este mês, não se realizará.”

Cabe-me agradecer à querida amiga professora Maria de Lourdes Mano a mareira como tem abraçado este projeto da CES, o modo como nos transmite os conteúdos e como promove a cultura.

Agradeço também a quem todas as semanas dá o seu apoio à CESVIVER e a quem nos procura para ter uma tarde diferente.

Rosa Maria Duarte

“CESVIVER – DIAS 3 E 5 DE NOV. 2020

RECORDAR JOSÉ SARAMAGO


Escritora Maria Teresa Horta

O Universo Literário de MARIA TERESA HORTA

Antes da sessão propriamente dita, a Profª. Lourdes Mano dedicou os primeiros momentos do nosso reencontro a saudações calorosas, à alegria do recomeço das atividades da CESVIVER e à formulação de votos de muita saúde com dias plenos de esperança e fé em tempos mais agradáveis e promissores de boas-novas.

A propósito da pandemia que nos “invadiu”, a Profª. recorreu a diapositivos para observarmos algumas obras de Arte Urbana criadas por Vhils e AkaCorleone, em homenagem aos médicos e enfermeiros do nosso País e que têm estado na linha da frente contra este flagelo do Covid.19. Mostrou ainda imagens do mural «Coexistência», criado pelo prestigiado artista brasileiro Eduardo Kobra onde, num ato de fé e esperança, pintou 5 crianças em oração, representando os cinco continente e, simultaneamente, as cinco maiores religiões.

Como no passado dia oito foi anunciado o Nobel da Literatura/2020, a Profª. presenteou todos os presentes com dois poemas da poeta Louise Glück, laureada este ano.

No âmbito de «Um Livro, Uma Companhia» retomámos as sessões, desta vez dedicada a Maria Teresa Horta.

Recordado o seu percurso de "jornalista, escritora e uma das mais conceituadas poetas da moderna Poesia Portuguesa, Maria Teresa Horta”, lutou sempre pela Liberdade.

Feminista, insubmissa, é uma das poucas poetas portuguesas a afirmar desde sempre na sua escrita, o corpo e a sexualidade feminina.

É autora de obras polémicas, como «Ambas as Mãos sobre o Corpo» - considerado uma obra-prima pelo Dr. Eduardo Prado Coelho - «Minha Senhora de Mim» e «Novas Cartas Portuguesas», livro este escrito também com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, autoras que passaram a ser internacionalmente conhecidas como “As três Marias” e que escandalizaram o Portugal puritano e hipócrita da época da ditadura Marcelista, voltando a enfurecer a “moral e os bons costumes Salazaristas”.

Estas obras valeram à escritora um espancamento na rua, muitas ameaças, insultos e a quase prisão.

A Poesia é para Maria Teresa Horta uma urgência.

Ela própria se define dizendo: «Eu sou a minha poesia».

Além da Profª. Lourdes Mano ter mostrado vários livros da autora, apresentou um PowerPoint com destaque para vários poemas que foram lidos por todos os presentes, muitas fotos, artigos da imprensa, dados relativos à biografia, bibliografia, prémios e distinções atribuídos e até, alguns prémios que recusou.

Foram distribuídas três folhas de leitura contendo os seguintes Poemas:

- «MÃE»

- «VINTE E CINCO DE ABRIL» (Poema escrito em 2020) e

- «NOVAS CARTAS PORTUGUESAS» Poema que o Cavaleiro de Chamilly enviou no dia da sua partida, à freira Mariana Alcoforado.

O livro histórico «Novas Cartas Portuguesas», publicado em Maio/1974, foi emprestado à Biblioteca da CESVIVER para ser usufruído por quem desejar ler ou reler esta obra, ficando assim como obra que integra as leituras de «Um Livro, Uma Companhia».

Aliás, as «Novas Cartas Portuguesas» foi a obra representante de Portugal e recomendada como leitura deste Verão, pelo projeto «Leitores da Europa em cooperação com a Biblioteca de Council of the European Union».

Após terminar a sessão, continuámos a usufruir das conversas agradáveis entre todos nós, juntamente com o enorme prazer de nos revermos aqui, na CESVIVER.

MLM


Literatura de Nuno Júdice

Universo Literário de Nuno Júdice

Ontem, dia 18 de fevereiro, foi nossa convidada a Professora Maria de Lourdes Mano para nos apresentar «O Universo Literário de Nuno Júdice».
Ao iniciar a sessão, a Profª. Convidou a assistência a fazer uma viagem “imaginária” de avião, de Lisboa para Itália, mais propriamente a Pompeia, recordando-nos a sua história e arte.

Todo o percurso foi ilustrado com recurso a diapositivos cujas imagens eram comentadas pela dinamizadora, incluindo os graffiti que ainda hoje se observam nas paredes de algumas ruínas, assim como,  um belo afresco pintado num dos palácios, o qual nos remete para  a «Lenda da formação da Europa», cujo tema faz parte de um dos livros publicados em 2017, por este autor: «O Mito da Europa».

A seguir, recordou-nos a paixão de D. Pedro de Portugal e de D. Inês de Castro descrita e enaltecida por Luís de Camões em «Os Lusíadas»; este facto histórico foi o fio condutor para a Profª destacar mais uma bela obra literária do autor que hoje esteve em destaque na CESVIVER:  Nuno Júdice e o seu livro «Pedro, Lembrando Inês», publicado em 2001; a completar esta segunda parte da sessão, foram entregues aos participantes «Folhas de Leitura» com os poemas retirados desta obra: «Pedro Lembrando Inês», «É isto o Amor» e «Retrato». A complementar as «Folhas de Leitura», os poemas foram ilustrados com imagens da artista plástica Lena Gal.

Com o objetivo da sessão ser mais dinâmica, romântica e interessante, aquando da leitura do poema «Pedro Lembrando Inês», foram distribuídas flores confecionadas pela Professora, utilizando coloridos guardanapos de papel, reforçando assim a imagem da paixão vivida por estas personagens da realeza portuguesa, na Quinta das Lágrimas, em Coimbra.

Além da Profª. nos mostrar vários livros deste notável autor, ainda teve oportunidade de comentar o último livro lançado em Nov./2019, «Camões Por Cantos Nunca Dantes Navegados» e «O Café de Lenine», obra esta considerada pelo Centro Nacional de Cultura como uma das dez melhores publicadas em 2019.

Como é habitual nas sessões dinamizadas pela Profª. Maria de Lourdes Mano,  esta grande figura da Cultura Portuguesa foi apresentada, ou recordada para outros participantes na sessão, através de diapositivos referindo-nos, entre outros aspetos, a biografia, obras publicadas no âmbito dos vários estilos literários característicos em Nuno Júdice, os prémios, distinções e condecorações que lhe têm sido concedidos.

A Profª. concluiu esta sessão com a oferta, para a biblioteca da CESVIVER, de um dossier de poemas deste prestigiado autor, poemas estes ilustrados com obras de conceituados artistas plásticos portugueses, inteiramente selecionados pela Professora Maria de Lourdes Mano.

Rosa Duarte

Poema de Nuno Júdice